quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A História Por Trás Da História - Alan Moore



Alan Moore é um escritor e desenhista inglês nascido em Northampton (18-11-1953). Mesmo que você não conheça este senhor, provavelmente conhece parte de suas obras como: Watchmen, V de Vingança, Monstro do Pântano e Hellblazer - que inspirou o filme Constantine. A maioria dessas histórias foram feitas na década de 1980 e mudaram o público leitor de HQs, já que são HQs mais adultos pela complexidade do que os tradicionais de super-heróis.


Quem diria que uma mente tão brilhante nasceria em um local tão deprimente e pobre, segundo o próprio Moore: " Uma área monocromática, cinzenta, completamente desolada" (...) " Rodeado por um mundo monocromático com opotunidades limitadas." e o único meio de fugir desta triste realidade era a ficção. Lia ,entre outras coisas, mitologias à histórias em quadrinhos de super-heróis, onde não haviam limitações. Estas influências foram muito importantes para o seu futuro profissional.


Os quadrinhos ingleses representavam muito a sua própria realidade, logo, ele não via naquelas obras um ponto de fuga do mundo, o que encontrou, aos 7 anos, nas HQs americanas e suas cidades como Nova York profundamente exóticas para Alan Moore. A partir do interesse nos quadrinhos acabou se interessando pelas pessoas que as faziam, os quadrinistas.

No ensino médio ele conheceu a classe média -isso mesmo, ele não conhecia- e viu que poucos pobres como ele tinham conseguido avançar. De um dos melhores alunos do ensino fundamental na sua turma ele caiu para um dos últimos colocados, já que não recebera uma boa base de estudos anteriomente. Sem muitas esperanças no colégio acaba abandonando os estudos e , consequentemente, sendo expulso.

O diretor do seu ex-colégio tinha enviado cartas a todos os colégios da região os convencendo a não aceitá-lo nelas o que fez com que Alan Moore não conseguisse terminar os estudos.  Ao tentar arrumar um emprego o problema se repetiu já que ele precisava de uma referência da escola no currículo. O único trabalho que conseguiu foi o dedescarnar animais, tão melancólico quanto sua infância.

Depois de ser demitido por fumar maconha em serviço vai trabalhar de limpador de banheiro  até que finalmente se torna cartunista para a revista de música Sounds. Dois anos depois percebe que não desenha tão bem assim e resolve escrever as tiras para que outros desenhem o que lhe garantiu alguns trabalhos para a Doctor Who Weekly e a 2000 AD, revista na qual publicou obras como a Balada de Halo Jones, SKIZZ e D. R.  & Quinch.

Tempos depois foi trabalhar na Warior e Maverman ( Miracleman nos EUA). Graças a esses quadrinhos ganhou o British Eagle Awards, como Melhor Escritor de Quadrinhos em 1982 e 1983.



Essas premiações encheram os olhos da DC Comics que o contratou. Seu primeiro trabalho foi com Monstro do Pântano, reinventando-o. Logo depois escreveu algumas histórias de Batman e Super-Homem, sempre com suas marcas registradas: Profundidade, inteligência e ensinamentos -suas histórias não apenas entretem
.
Durante os anos 80 a DC estava se reestruturando, extinguindo alguns heróis enquanto outros apareciam. Nessa perspectiva Moore é chamado para fazer uma série com os personagens da recém-comprada editora Charlton, assim nasce Wacthmen ( algo parecido com "vigilantes"), que é considerada por muitos o melhor quadrinho de super-heróis de todos os tempos e está na lista dos 100 melhores romances pela revista Time.


Vigilantes junto de O Cavaleiro das Trevas , de Frank Miller, redefiniram o mercado dos quadrinhos com histórias detalhadas, heróis mais realistas e desconfiança tanto do povo quanto dos heróis. Apesar de todo o sucesso Alan Moore sempre foi avesso a mídia, tanto que ele chama sua fama de "ridícula tempestade publicitária" 

No final dos anos 80 Alan Moore se afasta da DC descontente com suas atitudes puramente comerciais em relação ao mundo dos quadrinhos e por não ganhar royalties que merece - o que acho verdade, tanto que nem o direito sobre suas obras ele tem, os filmes deles foram feitos sem o seu aval.

Nos anos 90 monta sua prória editora chamada Mad Love Publishing e lá publicou Lost Girls, From Hell e A Small Killing. Depois foi trabalhar na Image Comics onde fez 1963 e uma fase de Spawn e Supremo, mas a editora não teve sucesso e faliu. Moore então cria seu próprio selo, a America's Best Comics (ABC) para a editora WildStorm onde escreveu A Liga Extraordinária e Top Ten, entre outras. Para desespero do nosso talentoso escritor a WildStorm foi vendida... para a DC Comics. Suas histórias devem ser publicadas agora pela Top Shelf Publishing.

     

Essa é a história de Alan Moore, um escritor genial na minha opinião, mas que quis se opor a uma grande empresa. Não havia outro caminho, se ele apenas apenas obedecesse suas obras seriam apenas iguais as outras, feitas de acordo com o público quer e não de acordo com o que o autor quer Como foi dito certa vez por ele:

"Se o público soubesse o que quer, eles não seriam o público, e sim o artista."

Um comentário:

  1. Orra está de parabens está coluna, saber as obras é uma coisa, mas quem faz as mesmas é outra, da uma visao melhor da obra em um todo.

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